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Tá Freud!

Tá Freud!

By: Vinicius Lara
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Psicanálise, história, política e muita associação livre. Nesse podcast Vinícius Lara, que é historiador e psicanalista abordará temas que envolvam a psicanalise em extensão e suas relações com a vida cotidiana. Sem conversas herméticas, sem lacanagem e entendendo que IPA, na melhor das hipóteses é cerveja amarga. Se você também gosta de algum desses assuntos, vem comigo. (Contém doses de ironia e eventuais pitadas de deboche) Se gostar, me segue lá no Instagram também: @_vini.lara @circulojfVinicius Lara
Episodes
  • T05#03 - Passa lá em casa na quarta-feira!
    Jan 14 2026

    Este episódio reconstrói a formação, o desenvolvimento e a transformação da Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras, grupo que se reuniu entre 1902 e 1908 na casa de Sigmund Freud, em Viena, e que deu origem à institucionalização da psicanálise. A partir de um convite informal, quase doméstico, o episódio acompanha como um pequeno círculo de médicos e intelectuais passou a constituir um novo campo teórico e clínico, marcado desde o início por intensas trocas intelectuais, conflitos pessoais e disputas institucionais.

    O percurso começa situando Freud no início do século XX, em um momento de grande produtividade intelectual, mas ainda de reconhecimento restrito. Embora já tivesse publicado suas obras fundamentais, Freud permanecia relativamente isolado no meio acadêmico vienense, com um público reduzido e escassa aceitação institucional. As reuniões das quartas-feiras surgem, nesse contexto, como espaço de ressonância intelectual e afetiva, reunindo médicos insatisfeitos com o pessimismo terapêutico da medicina vigente e interessados em abordagens dinâmicas do sofrimento psíquico.

    O episódio descreve a composição inicial do grupo, seus rituais e sua atmosfera peculiar: a apresentação de textos, as discussões longas, o consumo ritualizado de café e charutos e a presença de Freud como figura central, ainda que não exclusiva. Ao longo dos anos, o grupo cresce e se diversifica, incorporando médicos, editores, críticos culturais e leigos, ampliando progressivamente o alcance da psicanálise para além da clínica médica.

    Um ponto decisivo ocorre em 1906, com a chegada de Otto Rank e a introdução sistemática da documentação das reuniões. A escrita transforma a dinâmica do grupo, tornando visíveis tensões, rivalidades e disputas de autoridade. Entre 1906 e 1908, as discussões tornam-se mais formais e mais hostis, revelando divergências profundas quanto aos métodos, aos objetivos e à identidade da psicanálise. Conflitos envolvendo figuras como Wilhelm Stekel e Alfred Adler ajudam a estabelecer limites implícitos sobre autoridade clínica, divergência teórica e liderança.

    Paralelamente, a Sociedade passa a ser observada por visitantes estrangeiros, como Max Eitingon, Karl Abraham e Ernest Jones. Suas impressões críticas revelam um grupo heterogêneo e pouco coeso, mas também sinalizam o início da internacionalização da psicanálise. A entrada em cena de figuras como Abraham, Jones e Sándor Ferenczi marca a expansão do movimento para além de Viena, com a fundação de novas sociedades e a consolidação de redes internacionais.

    O episódio se encerra com o momento de institucionalização em 1908, quando a Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras se transforma oficialmente em Sociedade Psicanalítica. A mudança de nome, as tentativas de reforma interna e a participação no Congresso de Salzburgo assinalam o fim de um ciclo e o início de outro. O que começou como um encontro informal na casa de Freud torna-se, em poucos anos, uma instituição reconhecível, capaz de sustentar a psicanálise como campo organizado de saber e prática.

    Ao acompanhar esse percurso, o episódio evidencia que a psicanálise nasce não apenas de conceitos, mas de encontros, conflitos, afetos e escolhas institucionais, revelando desde sua origem a tensão entre abertura criativa e necessidade de organização.


    Bibliografia sugerida:

    MAKARI, George. Revolução em mente: a criação da psicanálise. São Paulo: Perspectiva, 2024.

    GAY, Peter. Freud: uma vida para nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

    Os Primeiros psicanalistas: Atas da Sociedade Psicanalítica de Viena (1906-1908)

    CAROPRESO, Fátima; COROMBERG, Renata U. Mulheres pioneiras na psicanálise: uma antologia. Belo Horizonte: Autêntica, 2025.

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    1 hr and 6 mins
  • EXTRA - O gato, o tamanduá e o mais completo absurdo (83 anos da publicação de O Mito de Sísifo, de Albert Camus)
    Nov 14 2025

    Este é um episódio extra, a adaptação de uma aula aberta ministrada por mim (Vinícius Lara) e pelo meu amigo e professor de filosofia Alberto Luiz, na noite do dia 13/11/2025 a respeito do livro O Mito de Sísifo, que completou 83 anos de publicação no mês passado.

    Conversamos sobre o contexto de publicação deste e de alguns outros livros do autor, sobre os conceitos de absurdo e de revolta e também pudemos responder a algumas perguntas propostas peloas participantes.

    Já já a gente retorma a programação normal por aqui!

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    1 hr and 33 mins
  • T05#02 - Era uma vez uma auto-análise
    Oct 20 2025

    Este episódio discute a chamada auto-análise de Freud, realizada entre 1897 e 1900, período em que ele elaborou suas primeiras hipóteses sobre o inconsciente, os sonhos e a sexualidade. O ponto de partida é a parceria anterior com Josef Breuer, médico com quem publicou Estudos sobre a histeria em 1895 ea correspondência de Freud com Wilhelm Fliess .

    A relação com Breuer e Fliess revela dois modos distintos de interlocução: o primeiro,marcado por uma relação quase filial e bastante tranquila, já o segundo, marcado pela intensidade pessoal e pelo compartilhamento das ideias ainda em formação. É nesse espaço intermediário que se deu a famosa a auto-análise de Freud, um processo que uniu reflexão teórica, elaboração, escrita e que estaria na posição de mito fundador da psícanálise.

    O episódio retoma a leitura de Henri Ellenberger, Erik Porge e Peter Gay dentre outros para discutir em que medida a autoanálise de Freud pode ser compreendida como um exercício clínico ou, antes, como um mito.


    Bora? Bora!


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    Também vale conferir a divulgação do nossa Jornada de Estudos Psicanalíticos de 2025, com o Tema A psicanálise e suas práticas - para mais informações --> CLIQUE AQUI


    BIBLIOGRAFIA DO EPISÓDIO:


    ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

    GAY, Peter. Freud: uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

    ELLENBERGER, Henri F. A descoberta do inconsciente: história e evolução da psiquiatria dinâmica. São Paulo: Martins Fontes, 1970.

    FREUD, Sigmund; BREUER, Josef. Estudos sobre a histeria (1895). In: FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. II. Rio de Janeiro: Imago, 1974.

    FREUD, Sigmund. História do movimento psicanalítico (1914). In: FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1976.

    PORGE, Éric. Freud/Fliess: mito e quimera da autoanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998

    LACAN, Jacques. Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise: o seminário, livro 11 (1964). Rio de Janeiro: Zahar, 1988.

    SULLOWAY, Frank J. Freud, biologist of the mind: beyond the psychoanalytic legend. 2. ed. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1992.

    VIDAL, Paulo Eduardo Viana. A invenção da psicanálise e a correspondência Freud/Fliess. Estilos clin., São Paulo , v. 15, n. 2, p. 460-479, dez. 2010 . Disponível em . acessos em 17 out. 2025.

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    54 mins
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